Presidente da Colômbia pede fim da exploração de petróleo na Amazônia

Gustavo Petro discursou nesta terça-feira (8) em Belém, diante de Lula e outros líderes sul-americanos. Governo brasileiro está dividido sobre possível perfuração de poços no litoral do Amapá.

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, pediu o fim da exploração de petróleo na Amazônia ao discursar nesta terça-feira (8) durante uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e outros líderes da região em Belém.

A Colômbia propôs que a “Declaração de Belém”, lista de compromissos que os oito países amazônicos deverão assinar na Cúpula da Amazônia, inclua uma sinalização clara pelo fim da exploração de petróleo na região da floresta. Não há consenso, porém, motivo pelo qual o tema deve ficar de fora do documento.

“Os desacordos, às vezes, nos permitem algumas propostas novas também”, afirmou Petro.

“A política não consegue se destacar dos interesses econômicos que derivam do capital fóssil. Por isso, a ciência se desespera, porque ela não está vinculada a esses interesses tanto quanto a política.”

Ele acrescentou: “Cada vez mais, o movimento social se junta com a ciência. E a política, cada vez mais, está presa na retórica”. O mandatário colombiano afirmou ainda que essa dissonância faz com que conferências internacionais do clima fracassem.

Petro classificou a exploração de petróleo na Amazônia como “sem sentido” e um “contrassenso” e pediu que decisões sejam tomadas. “Não vamos colocar na declaração [de Belém], mas vamos tomar decisões”, disse.

Em maio, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) negou à Petrobras um pedido de licença para perfurar poços na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá.

Técnicos do órgão consideraram que a empresa não apresentou garantias de segurança em caso de possíveis acidentes nem estudos suficientes sobre o impacto para terras indígenas da área. O governo brasileiro está dividido sobre o tema (leia mais abaixo).

A Cúpula da Amazônia foi idealizada pelo governo brasileiro e tem como principal objetivo fortalecer a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA). Apesar de pouco conhecido, esse é o único mecanismo internacional com sede no Brasil – e age para promover desenvolvimento sustentável na área.

A cúpula é tratada como uma prévia da COP 30, principal evento da Organização das Nações Unidas (ONU) para tratar das questões climáticas, que será realizado em 2025, também em Belém.

Mais abaixo nesta reportagem, você vai ler sobre:

  • os embates no governo brasileiro sobre a exploração de petróleo na Amazônia;
  • e o discurso de Lula na abertura da cúpula em Belém.

Divisão no governo brasileiro

O governo brasileiro vive um impasse, com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendendo que a Petrobras possa fazer pesquisas para avaliar a viabilidade de retirar petróleo na bacia da Foz do Amazonas na região.

Já a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou que o momento não permite “atitudes erráticas” e que zerar o desmatamento não será suficiente para garantir a sobrevivência da Amazônia, mas, sim, o fim do uso de combustíveis fósseis.

A discussão continua no governo. A ala que defende a exploração estuda caminhos para levar o projeto adiante.

Discurso de Lula

Ao abrir a reunião em Belém, Lula disse “nunca foi tão urgente retomar e ampliar” a cooperação entre os países que têm a floresta amazônica em seu território (veja mais no vídeo acima).

“É motivo de muita alegria encontrar os presidentes dos países da América do Sul para tratar da Amazônia, patrimônio comum dos nossos países. Há 14 anos não nos reuníamos”, afirmou.

“E a primeira vez no contexto do severo agravamento da mudança climática. Nunca foi tão urgente retomar e ampliar essa cooperação.”

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