O que realmente é moda plus size? Especialistas avaliam evolução do termo

Ter um corpo maior e mais curvilíneo, e precisar de um tipo de roupa que o acomode ou mesmo o realce, tornou-se (um pouco) mais aceito pelas indústrias de moda e varejo. Nos últimos anos, houve um compromisso maior com a diversidade de tamanhos das marcas de roupas e a ascensão de modelos plus size, como Ashley Graham, Paloma Elsesser, Precious Lee e Tess Holliday.

Mas o que realmente é considerado um corpo ou roupa plus size?

A “resposta insatisfatória” é que é “meio impossível de definir”, disse Lauren Downing Peters, professora assistente de estudos de moda no Columbia College Chicago e autora do novo livro “Fashion Before Plus-Size: Bodies, Bias, and the Birth of an Industry”.

Embora não haja critérios universais para roupas de tamanho grande, a percepção geral do que constitui tamanho grande mudou ao longo do tempo.

“Há aquela citação que sempre diz: ‘Bem, Marilyn Monroe era tamanho 48/GG’”, observou Carmen Keist, professora associada do departamento de ciências da família e do consumidor da Bradley University, em Illinois. “Esses números realmente não significam nada, porque um GG nos anos 50 era algo totalmente diferente do que significa agora”.

A maioria das roupas vintage são pelo menos algumas vezes menores do que seus tamanhos equivalentes hoje. Nas tabelas de tamanhos de 1915 a 1920, o tamanho grande – então conhecido como “tamanho robusto” – começava com uma cintura de 76 centímetros e um busto de 106 centímetros, de acordo com Downing Peters. Mas hoje, isso equivale a um tamanho 42/M ou 44/G.

Monroe não seria considerada plus size pelos padrões de hoje, já que “vimos uma inflação de tamanho nos últimos 100 anos”, continuou Downing Peters. “O tamanho é uma construção e mudou ao longo do tempo, à medida que as ideias sobre o que constitui um corpo (tamanho grande) também evoluíram”.

Tanto nos Estados Unidos quanto no Reino Unido, a mulher média hoje é um tamanho 50/GG. Downing Peters disse que 67% das mulheres americanas são consideradas plus size. Mas o maior tamanho que muitos varejistas oferecem é o 46/G, de acordo com o site Statista.

“Portanto, há muito mais incentivo para varejistas e marcas entrarem no setor plus size”, acrescentou.

Como os corpos maiores são dimensionados?

Quando se trata de dimensionamento, rótulos e varejistas podem fazer suas próprias regras. “A maioria das marcas usará seus próprios modelos de ajuste apenas para designar seus blocos de padrão”, explicou Downing Peters, “o que significa que suas convenções de tamanho serão baseadas no corpo desse modelo – e variarão muito de marca para marca”.

Essas práticas de dimensionamento explicam em parte por que qualquer pessoa, independentemente de ser plus size ou tamanho padrão, pode ter um tamanho em uma loja e outro em outro lugar – ou por que duas roupas de marcas diferentes são, digamos, tamanho 46/G, pode caber no corpo de um possível comprador de maneira muito diferente.

A gama plus size de alguns varejistas vai de 46/G a 48/GG, enquanto marcas focadas exclusivamente em roupas plus size vão muito além, disseram especialistas. Outras marcas, principalmente no espaço da alta moda, não acomodam clientes de tamanho grande.

A necessidade de agrupar os clientes em tamanhos discretos pode ser rastreada até o final do século 19, quando a Revolução Industrial inaugurou uma nova era de roupas prontas para vestir produzidas em massa, disse Emma McClendon, professora assistente de estudos de moda na St. John’s University em Nova York.

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