limpeza de ruas e córregos é uns dos destaques da gestão BocaLom

Com uma população estimada em 413.418 pessoas, segundo o censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) de 2020, a cidade de Rio Branco produz, diariamente, mais de 15 mil toneladas de lixo por dia, entre o doméstico e o chamado entulho, resto de construção e outros materiais. A média é de praticamente 500 toneladas por mês, mais de um quilo por dia  por habitante da cidade.

Rio Branco produz 15 toneladas de lixo por dia/Foto: ContilNet

No entanto, apesar de ainda haver reclamações sobre o setor, a melhoria na cidade, com a capinação e roçagem de áreas públicas, como praças, parques e ruas, além do recolhimento do lixo doméstico e os entulhos, a limpeza urbana na atual gestão do prefeito Tião Bocalom, salta aos olhos dos moradores e dos visitantes. Embora ainda não esteja no ponto ideal, o trabalho e cuidados com a cidade, que inclui também iluminação pública e a desobstrução de córregos e igarapés, é um dos itens que melhorou a performance política e eleitoral de Tião Bocalom ao ponto de fazê-lo um candidato à reeleição competitivo e com trabalho a apresentar também nesta área.

Joabe Lira é o responsável pela pasta que cuida da limpeza de Rio Branco/Foto: ContilNet

Isso está sendo possível graças ao trabalho do secretário municipal Joabe Lira, da Zeladoria e Cuidados com a Cidade, e de sua equipe. O que mais surpreende é que o trabalho desempenhado nada teria a ver, em tese, com a formação e graduação acadêmica do gestor. Aos 43 anos, Joabe Lira, casado e pai de um casal de filhos, é policial penal cedido à Prefeitura, com formação em Direito e Publicidade, estando ainda estudando gestão pública – atividades que, em tese, nada teriam a ver com a função de administrador da gestão de limpeza e cuidados com uma cidade que um dia já chegou a ser apontada com um grande lixão.

A seguir, os principais trechos e uma entrevista com o secretário municipal Joabe Lira. Acomanhe:

Qual é o orçamento anual da Secretaria Municipal de Cuidados com a Cidade?

Joabe Lira – Quando o prefeito Tião Bocalom recebeu a cidade, o orçamento para a limpeza era em torno de R$ 45 milhões por ano. Nesses três anos, aumentamos para quase R$ 100 milhões anuais, contando com iluminação pública e com a limpeza pública em geral. Isso fez com que, do início da gestão para o início do ano de 2023, saíssemos de dez equipes para 32 equipes, mais que dobramos a quantidade de limpeza pública. Antes, as operações de limpeza ocorriam mais em períodos de verão e nós estamos conseguindo trabalhar com o mesmo empenho de inverno a verão.

O senhor disse há pouco que as atividades da secretaria não se resumem apenas à catação de lixo na cidade. Quais são essas outras atividades e como elas são desenvolvidas?

Joabe Lira – Nós ampliamos as nossas as atividades da secretaria. Hoje, além da limpeza pública, que engloba o recolhimento de lixo de porta em porta, todos os dias, de segunda a segunda, como também a parte de limpeza dos bairros, das praças e outros logradouros, como é o caso do Parque da Maternidade, cuja limpeza, quando feita, cabia ao Governo do Estado, e nesta gestão o prefeito assumiu isso como sendo mais uma responsabilidade da Prefeitura. Além de limpar o Parque, fizemos também todo o trabalho de manutenção das passarelas e pontes para pedestre, e recuperamos a iluminação pública dos locais onde antes só havia escuridão. O prefeito aumentou as nossas atribuições com a administração dos cemitérios. São quatro cemitérios públicos (São João Batista, Cruz Milagrosa, Jardim da Saudade e do Bairro São Francisco) e cuidamos também de um cemitério privado, cuja fiscalização é de nossa responsabilidade. Fazemos também a manutenção de passarelas e daqueles parquinhos das praças, onde reconstruímos pelo menos 300. Isso é feito por uma de nossas equipes, a de infraestrutura básica, com a qual fizemos todas as escadarias em madeira nos portos de nossa cidade, por onde passam pessoas utilizando catraias e outros barcos.

“É um trabalho árduo e mas muito eficiente”, diz Joabe Lira/Foto: ContilNet

E como é feito esse trabalho de desobstrução de igarapés e córregos na cidade? Quantos foram os igarapés e córregos desobstruídos até aqui? Qual é o tipo de lixo que é retirado desses mananciais?:

Joabe Lira – Essa é uma situação importante na qual o prefeito Tião Bocalom tem investido bastante. Nós conseguimos criar uma equipe e conseguimos equipamentos para este tipo de serviços. Dispomos de pelo menos duas escavadeiras hidráulicas, que são equipamentos caros, cujo aluguel no mercado local, além de ser caro, é difícil de ser encontrado. Mas o prefeito conseguiu uma escavadeira nova, no final do ano passado, e temos agora dois desse maquinário e com isso conseguimos fazer essa limpeza, tanto mecanizada e com as retroescavadeira como também de forma manual, em locais de difícil acesso onde não é possível entrar máquinas e colocamos homens da nossa equipe para a atividade manual. É um trabalho árduo e mas muito eficiente. Ano passado, nós fizemos esse tipo de trabalho em 86 córregos na cidade, além de igarapés, como o São Francisco, em mais de sete quilômetros de extensão. Passamos 45 dias dentro do igarapé fazendo a limpeza, com equipamentos pesados, botes e muitas pessoas porque tivemos também o apoio da Defesa Civil Municipal. O trabalho deu resultado porque, mesmo com as enchentes, o igarapé não desalojou tanta gente em suas margens como havia ocorrido em anos anteriores.

E qual é o tipo de lixo que é jogado nos córregos e igarapés e que suas equipes recolheram?

Joabe Lira – Retiramos de lá restos de sofás, de geladeira, pneus velhos e até carcaça de carros, além de muitas garrafas plásticas, aos milhares. Em muitos desses locais, a gente encontrou um resto de cama do tipo box, de uma marca cara e que certamente não pertencia àquela comunidade, que era de pessoas de baixo poder aquisitivo. Por isso, a gente deduziu que é de alguém de posses que, como fazem muitas pessoas sem consciência, vão a tais locais apenas jogar seus entulhos.

Joabe disse que os lixo coletado em Rio Branco é composto por diversos objetos/Foto: Reprodução

Então, isso também faz parte da falta de consciência ambiental por parte da sociedade? O senhor acha que outras instituições, como o Ministério Público e o Governo do Estado, por exemplo, poderiam ajudar com campanhas de educação ambiental conscientizando as pessoas a não fazerem isso?

Joabe Lira –  Com certeza. A Semeia (Secretaria Municipal de Meio Ambiente) faz esse trabalho de orientação, indo às escolas, conversando com estudantes, professores e toda a comunidade escolar. Mas colocamos também nossas equipes indo de casa em casa fazendo esse trabalho de orientação às pessoas em relação à educação ambiental. Mas isso é um trabalho em que o resultado deve vir em longo prazo.

Mas o argumento de grande parte da população para jogar seus entulhos em áreas proibidas é o fato de a Prefeitura não passar fazendo o recolhimento. E quando a Prefeitura retira, tem que pagar alguma quantia. Isso é verdade? 

Joabe Lira – Na realidade, a lei é bem clara: quando nós fazemos este trabalho nós vamos em todos os bairros, em cada regional, todos os dias. Nós começamos pelos bairros mais distantes e vamos descendo rumo ao centro e depois voltamos, fazendo o mesmo trabalho de volta. A lei é clara quando diz que, se eu estou fazendo uma construção em minha casa, e produzo entulho, é lógico que tenho a obrigação de levar esse entulho para um aterro apropriado, que temos ali na Estrada Transacreana, bem no início, ao lado do posto de gasolina Piracema. 

Mas, se numa casa qualquer, houver um sofá velho, por exemplo, e não for o dia de a Prefeitura passar recolhendo, o que a pessoa tem que fazer? E se for o resto de um carro velho, que é pesado e de difícil remoção?

Joabe Lira – Se ele não puder fazer a remoção, tem que esperar a Prefeitura passar e fazer o recolhimento. O que não pode é jogar no meio da rua.

E se o cidadão não tiver um carro nem dinheiro para pagar a remoção para o aterro?

Joabe Lira –  Então esse cidadão tem que esperar pelo dia marcado pela Prefeitura, porque, se o cidadão tiver que jogar o lixo para fora de casa, no meio da rua, e não estiver dentro do prazo em que a Prefeitura vai passar, a rua vai virar um monturo, o que não pode acontecer. Ele tem que guardar esse entulho no quintal e esperar que a Prefeitura avise da data em que vai passar, quando então o cidadão porá o seu entulho na rua. O que não pode é a gente ficar atendendo um cidadão hoje e outro amanhã na mesma rua, e assim por diante. Nós temos um calendário da data de hoje até o último dia do ano, para cada regional e cada bairro. A gente divulga esse calendário dias antes, usando os meios de comunicação e o Portal da Prefeitura. Um calendário em que vamos completar todos os bairros, de todas as regionais. Fazemos isso uma semana antes de nos deslocarmos para esses bairros. Fazemos também um trabalho de divulgação entre os grupos de moradores de cada bairro e de suas lideranças. Usamos as redes sociais, principalmente os grupos de WhatsApp, que são grupos pequenos, de famílias e de moradores e aí podemos nos comunicar com todo mundo. Assim as pessoas ficam sabendo os dias em que a Prefeitura vai passar recolhendo os entulhos. A gente pede que a população fique atenta e colabore, colocando seus entulhos para fora. 

O trabalho da pasta vai além da limpeza das ruas e alcança até a iluminação pública de Rio Branco/Foto: Reprodução

Joabe Lira – Esse trabalho vem dando resultado e isso pode ser constatado com a diminuição dos casos de dengue. Mesmo com o aumento da população, os números de infecções da doença vem diminuindo tanto pelo serviço de assistência à saúde, mas também graças a esse nosso trabalho de recolhimento de entulho dos quintais. O que não pode acontecer é toda vez que a pessoa tiver um móvel quebrado ou inservível, colocar para fora de casa a bel prazer como se a rua fosse um lixeiro particular dele, na cultura do chamado “jogar no mato”. Na verdade, em se tratando de uma cidade, mesmo na Amazônia, como é o caso de Rio Branco, essa cultura dos seringais de jogar o que não serve “no mato”, não existe mais. Numa cidade, não existe o tal de mato, mesmo que seja um terreno baldio. A gente avisa uma semana antes e entra nos bairros fazendo a limpeza das ruas com capinagem, roçagem e em seguida com o ajuntamento dos entulhos.

Mas há também muitas reclamações de que, em determinadas ruas, por falta de benefícios, não entra nem carro de lixo. Como é que o senhor responde a isso?

Joabe Lira – Para recolhimento do lixo, nós temos caminhões pesados. Inclusive, no ano retrasado, nós trocamos toda a frota…

Qual é a frota hoje?

Joabe Lira – Nossa frota é moderna, com uma média de 40 equipamentos ao todo…

Caminhões?

Joabe Lira – Sim, são caminhões toyotas, pequenos caminhões. São vários, como caminhões, furgões….

São centenas de pessoas trabalhando na limpeza da cidade/Foto: Reprodução

Carroças de bois não usam mais?

Joabe Lira – Não, carroças de bois não usamos. Nessas ruas em que não é, ainda, possível a entrada de veículos, a gente faz a coleta manual. A coleta, em nenhum momento deixa de ser feita.

Mas, eu sei que a atribuição não é sua, mas não seria melhor beneficiar a rua para que entre veículos?

Joabe Lira – Com certeza. O problema de infraestrutura de Rio Branco já vem de muitos anos. É um problema sério que, infelizmente, os governos passados fizeram um trabalho de péssima qualidade e um bom exemplo disso é o programa chamado de Ruas do Povo. Onde já apareceu problema, o grande problema é o trabalho mal feito. Mas o prefeito Tião Bocalom refez várias ruas durante esses três anos de gestão e isso vai melhorar ainda mais com o programa “Asfalta Rio Branco”, um investimento de quase R$ 200 milhões que vai chegar nessas ruas intrafegáveis.Toda a cidade vai ser contemplada pelo programa “Asfalta Rio Branco”.

Joabe destacou que o trabalho da pasta foi fundamental durante as últimas enchentes/Foto: Reprodução

O senhor descreve as atividades de sua secretaria como algo próximo da perfeição. Mas como o senhor responde às constantes e frequentes reclamações da população em relação ao problema do lixo?

Joabe Lira – A coleta do lixo tem avançado muito. Estamos longe do que almejamos, mas é fato que avançamos muito e muito também com a ajuda da população, dos meios de comunicação que têm colaborado conosco em relação às divulgações sobre nossos calendários de coleta e outras atividades. O fato é que avançamos muito e Rio Branco, a cada dia, tem se tornado uma cidade mais limpa em relação às administrações anteriores. Um exemplo dos avanços é que saímos de uma frota de 70 equipamentos para 150 equipamentos específicos para a limpeza. Nosso centro da cidade dá gosto de ver porque temos equipes fazendo varrição e limpeza todos os dias. Fazemos também a chamada coleta seletiva.

Como é que é isso?

Joabe Lira – A coleta seletiva abocanha um bom percentual do lixo doméstico que enviamos diariamente para a Utre (Unidade Tratamento de Resíduos), aquele lixo que é produzido pelo ser humano dentro de casa, incluindo o lixo de banheiros. É o vidro, o papelão, a garrafa pet.

Vocês então atuam com organizações que reciclam isso?

Joabe Lira –  Sim. Nossa secretaria atua em conjunto com uma empresa terceirizada e com uma cooperativa. Então, esse trabalho da coleta seletiva abocanhou um percentual de dez a 14 toneladas de todo o lixo doméstico enviado para a Utre.   

fonte: cintilante

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