Após a confirmação de casos de hantavírus na Bolívia e de um surto registrado em um navio de cruzeiro que passou pela Antártida, a doença voltou a chamar atenção em vários países e gerou preocupação sobre o risco de uma nova pandemia. No Acre, o médico infectologista Thor Dantas explicou ao ContilNet que, apesar da gravidade da doença, o risco de uma disseminação em larga escala é considerado baixo.Segundo o especialista, o hantavírus é transmitido principalmente pelo contato com urina, fezes e saliva de ratos silvestres infectados, especialmente quando partículas contaminadas são inaladas durante limpezas de locais fechados ou com presença de roedores.“O risco de epidemia é muito baixo, porque a transmissão dele de pessoa para pessoa não é igual à Covid. Nem todas as cepas do hantavírus conseguem ser transmitidas entre humanos”, explicou o médicoA hantavirose é uma zoonose viral aguda causada por vírus da família Hantaviridae. No Brasil, a forma mais grave da doença é conhecida como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, que pode provocar insuficiência respiratória severa e até choque circulatório.
Sintomas podem começar como uma gripe
De acordo com o Ministério da Saúde, os sintomas iniciais incluem febre, dores no corpo, dor de cabeça, dor abdominal e sintomas gastrointestinais. Nos casos mais graves, a doença evolui rapidamente para comprometimento pulmonar, com falta de ar, tosse seca e queda da pressão arterial.
Thor Dantas alertou que a evolução respiratória é o que torna a doença perigosa.
“Quando evolui para quadro pulmonar, é quando o quadro fica extremamente grave. A letalidade pode chegar a 40%”, afirmou.
O infectologista também destacou que não existe tratamento específico contra o hantavírus, diferentemente da leptospirose, que pode ser tratada com antibióticos.
Como evitar a contaminação
A principal orientação é evitar contato direto com locais contaminados por ratos silvestres. O médico recomenda uso de máscara, luvas, botas e água sanitária durante a limpeza de ambientes fechados ou com sinais da presença de roedores.
“Se você vai lavar ou limpar um lugar que passou rato, tem que usar luva, bota e máscara, além de usar água sanitária nos locais onde o animal urinou”, orientou.
O Ministério da Saúde também recomenda manter alimentos armazenados em recipientes fechados, evitar acúmulo de entulho e impedir a aproximação de roedores das residências.
Acre acompanha situação, mas risco é considerado baixo
Em nota enviada ao ContilNet, a Secretaria de Estado de Saúde do Acre informou que acompanha os alertas epidemiológicos nacionais e internacionais relacionados à hantavirose.
Segundo a Sesacre, os casos confirmados na Bolívia ocorreram nas cidades de Bermejo, Yacuíba e Padcaya, áreas de fronteira com a Argentina, e não com o Brasil.
Ainda conforme o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS Nacional), o episódio não foi classificado como emergência em saúde pública para o Brasil e não exige medidas adicionais neste momento.
Mesmo assim, a Sesacre informou que mantém monitoramento permanente e vigilância ativa nas regiões de fronteira, seguindo protocolos do Ministério da Saúde.
Veja na íntegra:
A Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), por meio da Vigilância em Saúde, informa que acompanha continuamente os alertas epidemiológicos nacionais e internacionais, incluindo notificações relacionadas à hantavirose.
Sobre os casos confirmados na Bolívia, o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS Nacional) esclareceu que os registros ocorreram nas cidades de Bermejo, Yacuíba e Padcaya, localizadas em região de fronteira com a Argentina, e não com o Brasil.
De acordo com avaliação do CIEVS Nacional, o evento foi classificado, neste momento, como não relevante para o Brasil e não configura Emergência em Saúde Pública, não havendo necessidade de medidas adicionais específicas relacionadas ao episódio.
A Sesacre reforça, no entanto, que mantém monitoramento permanente de eventos epidemiológicos e vigilância ativa nas regiões de fronteira, seguindo os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.


